Fifa aprova chip na bola para validar gols e auxiliar VAR
Quando a Fédération Internationale de Football Association (Fifa) aprovou o uso de bolas com chip em sua sede em Zurique, Suíça, ninguém imaginava que isso mudaria para sempre como decidimos quem marca um gol. A decisão, tomada por unanimidade pelos membros da International Board em uma quinta-feira histórica, autorizou o uso do dispositivo especificamente para confirmação de gols. O alerta seria instantâneo: assim que a bola ultrapassasse a linha, os árbitros receberiam a informação.
O teste inaugural estava marcado para o Mundial de Clubes da Fifa, no Japão, em dezembro daquele ano, com a participação do Corinthians, campeão da Libertadores. Se funcionasse, a tecnologia estenderia seus tentáculos para a Copa das Confederações de 2013 e, finalmente, para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Mas aqui está a pegadinha: a aprovação não tornava a adoção obrigatória imediatamente. As federações nacionais tinham liberdade para aplicar ou não a regra, embora a tendência fosse uma implementação plena apenas a partir de meados de 2013.
Como funciona a "bola inteligente"?
A tecnologia não é mágica, mas é impressionante. Dentro da bola oficial, há um sensor de movimento e um sistema de posicionamento local (LPS). Pense no LPS como um GPS miniaturizado: enquanto seu celular usa satélites, a bola lê sinais de antenas instaladas ao redor do campo. Os dados de posição e movimento são enviados 500 vezes por segundo para um computador no estádio.
Igor Baliberdin, especialista em design, negócios e tecnologia, explica que esse fluxo constante de informações permite rastrear velocidade, potência do chute e localização exata. "O chip coleta dados que são depurados por inteligência artificial antes de chegarem ao árbitro via VAR", detalha ele. Isso significa que o sistema sabe exatamente quem tocou na bola por último, se houve toque de mão e até mesmo microtoques imperceptíveis ao olho humano.
Evolução técnica: De Telstar 18 à Trionda
A jornada tecnológica tem sido rápida. Na Copa do Mundo de 2018, a bola Telstar 18 introduziu o uso de NFC (Near Field Communication), fornecendo dados em tempo real sobre deslocamento e velocidade. Já na edição de 2026, a bola oficial, chamada Trionda, traz inovações ainda maiores. Diferente dos modelos anteriores, o chip agora está fixo em um dos painéis e, curiosamente, precisa ser carregado.
O apresentador Iberê, da série "Iberê Responde", desmontou uma bola oficial para mostrar que o chip só existe nas versões de jogo, não nas vendidas em lojas. Ele destaca que a combinação entre os dados do chip e câmeras 3D ao redor do campo viabiliza o impedimento semiautomático. "A tendência é que, com essa super bola, não tenhamos mais erros de arbitragem", opina Iberê, enfatizando a precisão milimétrica do sistema.
Impacto na arbitragem e regras
Para os árbitros, a responsabilidade aumentou. Antes de cada jogo, eles devem testar o funcionamento da tecnologia. Se algo estiver errado, podem optar por não usar o sistema, desde que notifiquem até 60 minutos antes do início. A International Football Association Board (IFAB) deixa claro: a tecnologia serve apenas para determinar se a bola cruzou totalmente a linha de gol. Não decide faltas, nem cartões vermelhos.
No Brasil, a discussão ganha outro tom. Publicações em redes sociais sugerem que a adoção do chip no Campeonato Brasileiro poderia evitar polêmicas, como a suposta validação irregular de um gol do Clube de Regatas do Flamengo. Embora não haja cronograma oficial para o Brasileirão, a pressão por mais justiça nos resultados cresce a cada temporada.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre o chip da bola e o VAR tradicional?
Enquanto o VAR depende de imagens de câmeras externas para revisar lances, o chip da bola envia dados internos de movimento e posição 500 vezes por segundo. Isso permite detectar microtoques e posições exatas que câmeras sozinhas podem perder, integrando-se ao VAR para decisões mais precisas, especialmente em impedimentos e validação de gols.
O chip da bola pode decidir outros tipos de falta além de gols?
Não. Segundo a IFAB, a tecnologia na linha do gol é restrita exclusivamente para determinar se a bola ultrapassou integralmente a linha de fundo. Ela não auxilia em decisões de faltas, pênaltis ou expulsões, focando apenas na validação do gol propriamente dito.
Por que a bola da Copa 2026 precisa ser carregada?
A nova bola Trionda possui um chip fixo com sensores avançados que transmitem dados continuamente. Essa transmissão de alta frequência consome energia, exigindo recargas periódicas. É uma mudança significativa em relação aos modelos anteriores, onde o chip era menos integrado ou tinha menor demanda energética.
As bolas vendidas em lojas têm o mesmo chip?
Não. As bolas comerciais são visualmente idênticas às oficiais, mas não possuem o chip interno. O equipamento requer infraestrutura específica no estádio (antenas e computadores) para funcionar, tornando-o inútil para uso recreativo. Apenas as bolas usadas nas partidas oficiais contêm a tecnologia.